terça-feira, 20 de maio de 2014

JOÃO GRILO E OS PROTESTANTES BONS DE BÍBLIA

Por Gildo Gomes

O filme o “Auto da Compadecida”, lançado em 10 de setembro do ano de 2000 e dirigido por Guel Arraes, tornou-se um sucesso nacional surpreendente e muita gente até hoje não se cansa de assisti-lo após tantas e tantas vezes. Sim, eu sei que existem ensinamentos antibíblicos em sua mensagem, mas não pretendo deter-me nisso no presente artigo. Ariano Suassuna, o autor da obra homônima é um nordestino que nos orgulha pela genialidade. A escritora Raquel de Queiroz chegou a dizer que uma das coisas mais deliciosas de sua vida foi ler essa obra de Suassuna. E claro ler o livro é sempre mais gostoso que assistir o filme. Recentemente enquanto lia um trecho do julgamento de João Grilo uma parte da peça prendeu-me a atenção. No filme, o ator Matheus Natchergaele encarna o personagem brilhantemente. Dirigindo-se a Jesus, João Grilo, fala: “eu me lembro de uma vez que o padre João estava me ensinado o catecismo, leu um pedaço do evangelho. Lá se dizia que ninguém sabe o dia e a hora em que o dia do juízo será, nem homem, nem os anjos que estão no céu, nem o filho. Somente o pai é que sabe. Está escrito lá assim mesmo? E aí Manuel [Jesus] diz: Está. É no evangelho de São Marcos, capítulo treze, versículo trinta e dois. E o João Grilo diz: Isso é que é conhecer a Bíblia! O Senhor é protestante? E Jesus responde: Sou não João, sou católico. E o João Grilo afirma: Pois na minha terra, quando a gente vê uma pessoa boa e que entende de Bíblia, vai ver é protestante.” [1]
Em sua fala João Grilo, o “amarelo muito safado”, criado por Ariano afirma que em sua terra, uma pessoa boa e que entende de Bíblia certamente era um protestante. Como Ariano Suassuna vem de uma família evangélica da Paraíba a pergunta e a conclusão de João Grilo diante de Jesus não deixa de demonstrar sua experiência do que as pessoas diziam sobre os crentes e o conhecimento que possuíam da Bíblia na sua época. Essa fama ainda hoje é citada, embora com bem menos força, afinal houve um tempo que os protestantes eram chamados de “os Bíblias”. Com a Reforma Protestante do século XVI e o princípio do “sola scriptura” (somente a escritura), os evangélicos tornaram-se exímios estudiosos do livro santo. O próprio reformador Martinho Lutero, tinha uma agenda semanal de muito estudo bíblico com sua congregação. Em Wittenberg, na Igreja do Castelo, aos domingos às 5h, Lutero pregava nas epístolas paulinas; às 9h pregação nos evangelhos sinóticos; e à tarde pregação nos temas do Catecismo menor; nas segundas e terças, Lutero pregava no Catecismo menor; na quarta-feira, pregação no evangelho de Mateus; na quinta e sexta ele pregava nas Epístolas Gerais; e aos sábados, o grande reformador pregava no Evangelho de João [2]. E foi na prática lectio continua, ou seja, exposição continua da Bíblia que a reforma produziu muitos teólogos e igrejas biblicamente sólidas. A Escola Dominical, por exemplo, é uma criação dos evangélicos no século XVIII na Inglaterra que tantas bênçãos produziu aos ingleses e ainda hoje produz na sociedade mundial. Mas toda essa conquista histórica e que acabou por gerar a fama expressa por João Grilo que os protestantes são gente boa e bons de Bíblia, arrefeceu muito nas últimas décadas. Evangélicos de hoje diferentes dos protestantes do passado sabem mais sobre futebol, politica, religião, ciência e até de moda do que sobre a Bíblia. Essa mudança de postura é resultado de várias causas negativas que por sua vez resultaram em consequências desastrosas.

As Causas
  •  Desinteresse pela exposição sistemática da doutrina bíblica;
  •  Liderança despreparada moral e biblicamente;
  •  A crença na filosofia equivocada de que o amor une e a doutrina divide;
  •  Pregadores superficiais com fama de erudição por citar o grego ou usar uma Bíblia de estudo; e fama de unção por rodopiar, tremer a voz e falar em línguas;
  •  Vida piedosa desleixada sem leitura da Bíblia, oração ou jejum;
  •  Profetismo e declarações de vida vitoriosa dissociadas da verdade bíblica;
  •  A busca por fama, dinheiro e posição na sociedade;
  •  A Bíblia interpretada à luz da filosofia, ciência, cultura, conveniências e tendências do mundo moderno e não por ela mesma sob a iluminação do Espírito Santo que inspirou profetas e apóstolos;
As Consequências:
  •  Escândalos sem precedentes na história envolvendo evangélicos;
  • Escolas dominicais vazias de pessoas e de conhecimento bíblico;
  • Cultos de doutrina sem exposição clara e didática das verdades do evangelho como trindade, divindade e humanidade de Cristo, a personalidade do Espírito Santo, os dons e fruto do Espírito, a regeneração, a justificação, a eleição, a santificação e outras;
  • Livros, revistas, sites, blogs e facebooks evangélicos com informações bíblicas distorcidas e descontextualizadas da vida prática das pessoas;
  • Evangélicos com vergonha da pregação do verdadeiro evangelho;
  • Falta de clareza nas declarações e tomadas de posições de denominações evangélicas. Vive-se a época de agradar a gregos e troianos;
  • Cultos, campanhas e festas religiosas que mais parecem eventos sociais irreverentes e não um momento solene de louvor e adoração ao Senhor dos céus e da terra;
  • Pregações que alimentam o ego e a autoestima ao invés de anunciar que os seguidores de Cristo devem renunciar a si mesmos, tomarem sua cruz e segui-lo;

Referências Bibliográficas

[1] SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 34ª. ed. Rio de Janeiro: Agir Editora Ltda, 1999. p 187,188

[2] FERREIRA, Franklin. Os Servos de Deus. 1 ed. São Paulo: Editora Fiel, 2014. p 465

terça-feira, 6 de maio de 2014

COMO O FINITO (CRIATURA) PODE CONHECER O INFINITO (CRIADOR)?

Por Gildo Gomes



Deus é de cima e nós cá de baixo. Ele é infinito e nós somos finitos. E para complicar ainda mais, Ele é tremendamente santo e nós somos terrivelmente pecadores. Não é questão de distância espacial entre nós e Deus, e, sim, uma distância de natureza moral. Então como podemos conhecer aquele que está infinitamente além de nós?, ou seja, como o finito(homem) pode conhecer o infinito(Deus)? Herbert Spencer, um agnóstico, observou certa vez que nunca se viu um pássaro voar para fora do espaço. Com isso ele concluiu por analogia que é impossível o finito penetrar o infinito[1]. A observação de Spencer estava certa, mas sua conclusão esquecia de uma outra possibilidade: que o infinito pode penetrar o finito. E a Bíblia e a história mostra justamente isso: Que o Deus santo, poderoso, infinito revelou-se ao homem pecador, impotente e finito.

O livro de Gênesis nos diz logo no início que Deus era quem tomava a iniciativa para comunicar-se com Adão e não o contrário. E se não fosse assim Adão jamais poderia ter qualquer conhecimento do Deus criador. Como disse Jonh Stott: “Quando a mente humana começa a se preocupar com Deus, torna-se perplexa. Tateia na escuridão. Tropeça. Está perdida. Não é de estranhar que assim ocorra, porque Deus, seja quem for ou o que for, é um ser infinito e imortal, enquanto nós somos mortais e finitos. Ele está totalmente fora de nosso alcance. Desse modo nossa mente, que é um instrumento maravilhosamente efetivo em outros setores, não nos pode ajudar de pronto. Não pode subir a infinita mente de Deus. Não há escada. Existe apenas um vasto e imensurável abismo. “Porventura alcançarás os caminhos de Deus?” (Jó 11:7)[2]. Impossível. Esta situação assim permaneceria, se Deus não houvesse tomado a iniciativa de repara-la” [1]. Se o criador não decidisse falar com a criatura como a criatura poderia conhecer a vontade de seu criador? A bíblia diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR.” (Is 55:8).
Na mitologia egípcia quando os viajantes não conseguiam decifrar os enigmas da monstruosa Esfinge, eram logo mortos. Caso Deus, um ser infinito não se revelasse a nós humanos seres finitos, então nós estávamos destinados a mesma sorte e destino fatal. Porém, temos da parte de Deus o conhecimento suficiente para não ficarmos no escuro e nem na ignorância espiritual, visto que Ele enviou dos céus a terra tanto sua palavra escrita (a Bíblia) quanto sua palavra encarnada (Jesus Cristo). Porém muitos preferem ficar na indecisão cética de Pilatos que diante de Jesus perguntou: “Que é a verdade”?. Essa indagação tem sido debatida ao longo dos tempos por filósofos e teólogos. E se não houvesse uma fonte de autoridade além de nós e independente de nós, então tanto Pilatos, e os céticos modernos teriam razão em insinuar que não existe verdade e que portanto não haveria uma propósito final para a existência. Mas a verdade existe e o propósito existencial também. Se pelo menos compreendermos que tanto a pessoa histórica de Jesus  como a Bíblia enquanto documento falaram a verdade acerca dos acontecimentos históricos, comuns e sujeitos a investigação (a crucificação por exemplo), então poderemos concluir que Jesus e a Bíblia gozam da mesma credibilidade nos assuntos invisíveis e não sujeitos a investigação, como o perdão de pecados, por exemplo[3].
Deus revelou-se a humanidade para que a mesma conheça sua origem, sua identidade e seu destino. É por isso que Hebreus afirma: “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho,  a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.” (Heb 1:1-2).O texto diz que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras. Podemos presumir pela bíblia que inicialmente Deus(o criador) revelou-se ao homem(criatura) de duas formas básicas: pela criação e pela consciência conforme os capítulos 1 e 2 de Romanos. A bíblia mostra-nos a glória de Deus apresentada na obra da criação. Como diziam os reformadores a criação é teatro de Deus. Em outras palavras a natureza com sua beleza, ordem e magnificência apontam para a grandeza de seu criador.“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” (Rm 1:19-20).
O Salmo 19:1-6 diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.  Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes  em toda a extensão da terra, e as suas palavras, até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,  que é qual noivo que sai do seu tálamo e se alegra como um herói a correr o seu caminho.  A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso, até à outra extremidade deles; e nada se furta ao seu calor.” Ao mesmo tampo em que temos o testemunho externo da criação, temos ainda o testemunho interno da consciência humana. “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os,” (Rm 2:14-15). Em resumo: externamente Deus revela-se através da natureza criada e internamente através da consciência de cada ser humano. Só que com a desobediência do homem (pecado), uma grande tragédia espiritual aconteceu com o gênero humano e o mesmo ficou destituído da glória, era preciso então uma revelação que não levasse em conta o caráter criador de Deus, mas também seu plano redentor. Até porque apesar da beleza da criação e da consciência aprovando ou acusando os atos humanos, era preciso evidenciar o amor, a justiça, a misericórdia e o plano de salvação divino. Toda a Sagrada Escritura escrita pelos profetas e apóstolos e a vinda de Jesus Cristo visava justamente a este propósito.


Referências Bibliográficas

[1] LITTLE. Paul E.  Você Pode Explicar Sua Fé?. 5 ed. São Paulo Editora Mundo Cristão, 1997.
[2] STOTT, John. Cristianismo Básico. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1964. p 10,11
[3] LUTZER, Erwin. 7 Razões para confiar na Bíblia. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 1997. p 57,58

quinta-feira, 17 de abril de 2014

EVANGELHO DE NÁRNIA

EVANGELHO DE NÁRNIA: A REALIDADE DA MORTE DE CRISTO PELOS PECADORES POR TRÁS DO IMAGINÁRIO MUNDO DE C.S. LEWIS


Por Gildo Gomes




Nesse período de celebração da páscoa um bom filme para assistir e trabalhar a temática com as crianças é “Crônicas de Nárnia: O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa”. O filme foi lançado pela Disney em 2005 como primeiro da famosa série As Crônicas de Nárnia. Em O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, tudo começa quando as crianças Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia fugindo dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial em Londres vão para a casa de um professor e lá numa brincadeira de esconde-esconde Lúcia entra num guarda-roupa mágico e chega em Nárnia, uma terra  paradisíaca, mas que está sob o feitiço de Jadis, a feiticeira má. Em Nárnia só existe inverno e o natal nunca chega. Os irmãos não acreditam em Lúcia, até que Edmundo numa noite a segue e também entra no guarda-roupa e constata a veracidade do que a irmã havia falado. Lá Edmundo é enganado pela feiticeira com a promessa de que seria um príncipe e teria seus irmãos como servos caso os trouxesse para Nárnia. Finalmente todos entram na terra encantada e sem saber estão cumprindo uma profecia sobre a vinda de Aslam. Aslam, é um leão, o rei e reverenciado por todos. Edmundo, iludido pela falsa promessa de Jadis, agora é seu prisioneiro. Aslam porém o resgata do domínio da feiticeira. Mas o resgate não será tão fácil assim. Alguém terá de morrer por causa da traição de Edmundo. E o leão Aslam será humilhado e morto na Mesa de Pedra, sendo visto ao longe pelas meninas Lúcia e Suzana. A feiticeira pensa que derrotou Aslam, mas ele ressuscita e pelo seu sopro a vida volta aos animais antes petrificados por Jadis. No final em meio a uma grande batalha a chegada do leão redivivo reforça o exército do rei Pedro que vence o numeroso batalhão da feiticeira.

C.S. Lewis tornou-se um dos o maiores teólogo e apologista do século XX, embora fosse na verdade, um professor de literatura. Um mestre literário e um grande criador de história ficcionista infantil. C.S. Lewis mostrou-nos como os contos de fadas são altamente didáticos na transmissão de conceitos verdadeiros as crianças. Em seu artigo Três Maneiras de Escrever Para Crianças, ele disse: “O conto de fadas é acusado de dar às crianças uma falsa impressão do mundo em que vivem. Na minha opinião, porém, nenhum outro tipo de literatura que as crianças poderiam ler lhes daria uma impressão tão verdadeira... O menino não despreza as florestas de verdade por ter lido sobre florestas encantadas: a leitura torna todas as florestas de verdade um pouco mais encantadas.” [1]. Foram muitas suas obras de ficção como Além do Planeta Silencioso, Perelandra, Uma Força Estranha entre outros, mas em Crônicas de Nárnia, Lewis se superou e transmitiu os princípios cristãos da criação, queda, redenção e vida eterna ao público infanto-juvenil através de uma belíssima e empolgante história. Porém, quem é C.S. Lewis e o que são As Crônicas de Nárnia? E o que isso tem a ver com o Cristianismo de nosso Senhor Jesus, principalmente com sua morte e ressurreição? 


Clive Staples Lewis, o C. S. Lewis, conhecido pelos amigos como Jack, nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 29 de novembro de 1898, numa família protestante-presbiteriana. Em sua autobiografia, Lewis diz que era filho de um advogado e filho de uma filha de pastor. Perdeu a mãe aos 10 anos e isso trouxe-lhe o isolamento, tornando-se um voraz leitor dos grandes romances e contos mundiais como um refúgio a morte de sua mãe. Ao tornar-se adulto Lewis passou a descrer em Deus e a rejeitar o cristianismo histórico e a Bíblia. Na verdade tornou-se um ateu, um cético implacável. Lewis explica seu ateísmo com as seguintes palavras: “eu sempre quisera, acima de tudo, não sofrer “interferências”. Queria (desejo insensato) “chamar a minha a minha alma””.[2] Porém, se foi verdade para Sigmundo Freud que uma vez ateu para sempre ateu, o mesmo não aconteceu com C.S. Lewis. Sua amizade com um outro gênio de história ficcionista, o influenciou no retorno ao cristianismo bíblico. Esse amigo era J.R.R. Tolkien (John Ronald Reuel Tolkien), autor da trilogia O Senhor dos Anéis, que ganhou 17 Oscar, um recorde mundial na história do cinema. Tolkien influenciou Lewis a considerar as verdades do cristianismo e agradeceu a Lewis os incentivos para terminar a saga do Senhor dos Anéis. Enquanto Tolkien escrevia O Senhor dos Anéis, Lewis escrevia As Crônicas de Nárnia. Tolkien era um católico praticante e Lewis tornou-se um cristão protestante ligado à igreja anglicana. Ambos agora amigos, cristãos, e professores de literatura, pertenciam aos Inklings, um clube informal de escritores que se reuniam e discutiam ideias para as suas histórias. C.S.Lewis, foi professor de literatura Medieval e Renascentista, na Universidade de Cambridge e Oxford, na Inglaterra. Ele faleceu em 23 de novembro de 1963, no mesmo dia da morte do presidente americano John Kennedy e do ateu Aldous Huxley. Seus livros já venderam cerca de 200 milhões de exemplares no mundo. Nos estados americanos dos EUA, Lewis é leitura obrigatória para as escolas. Tanto na América do Norte como na Europa Lewis é bastante conhecido pelo público infantil através dos sete volumes das Crônicas de Nárnia. 
 

Entre nós brasileiros desde dezembro de 2005 Lewis passou a ser mais conhecido com o lançamento do filme as Crônicas de Nárnia, semelhante a seu amigo Tolkien após o sucesso cinematográfico do Senhor dos Anéis. O lançamento das “Crônicas de Nárnia, o leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, trouxe alegria entre os cristãos e indignação entre os não cristãos. Alguns perceberam que o filme trazia uma mensagem cristã e os críticos do cristianismo tentaram logo desacreditar essa intenção do autor. Houve então mobilização de protestantes e críticos. Adam Gopnik, por exemplo, chegou a dizer que Nárnia não podia ser considerada uma alegoria cristã e que não era intenção de Lewis que Aslam representasse Jesus. Mas numa carta, emitida por Lewis a um fã infantil em 1961, ele mesmo escreve: "a história inteira de Nárnia é sobre Cristo." A carta foi encontrada por Walter Hooper, conselheiro literário da obra de Lewis, e silenciou os críticos. A referida carta continua: "supondo realmente que cá era um mundo como Nárnia. . . e supondo que Cristo quis ir para este mundo e salva-lo (como Ele fez por nós) o que pôde ter acontecido?". "As histórias são minha resposta. Desde que Nárnia é um mundo de animais falantes, eu pensei que Ele se transformaria um animal falante lá da mesma forma como se transformou em um homem aqui. Eu o descrevi vindo como um leão lá porque: a) o leão é considerado o rei dos animais; b) Cristo é chamado o ‘o leão de Judá’ na Bíblia." [3]. Os sete volumes das Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis são: O Sobrinho do Mago, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, O Cavalo e Seu Menino, Príncipe Caspian, A Viagem do Peregrino da Alvorada, A Cadeira de Prata e a Última Batalha. Em todos eles é possível estabelecer comparações com a mensagem e a ética cristã, mas no Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa a morte e ressurreição de Aslam em lugar de Edmundo assemelha-se a morte e ressurreição de Cristo no lugar de pecadores de uma forma incrível. 



Comparações entre o imaginário das Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis e a realidade da mensagem cristã na Bíblia

Crônicas de Nárnia
Bíblia Sagrada
Uma profecia sobre a vinda de Aslam  diz: “O mal será bem quando Aslam chegar, ao seu rugido, a dor fugirá, nos seus dentes, o inverno morrerá e na sua juba, a flor há de voltar”.
Sobre a promessa da vinda de Jesus os textos de Is 9.1,2 e Mt 4.12-16 falam de terra gloriosa, na sombra da morte resplandeceu a luz, do povo em trevas que viu uma grande luz.

No filme quando os castores pronunciam o nome de Aslam as crianças ficam com semblantes de uma felicidade inexplicável.
Jesus é chamado no profeta Ageu de o desejado das nações Ag 2.7; ver  Mt 13.16,17 e Mt 12.21
Jadis a feiticeira má iludiu Edmundo com manjar turco delicioso e prometeu que ele seria príncipe em Nárnia e seus irmãos seus servos.
Satanás enganou Adão e Eva com a falsa promessa de conhecimento e sabedoria igual a Deus conforme Gn 3.4,5.

Edmundo é resgatado. Edmundo fica a sós com Aslam. O dialogo entre ambos não é conhecido nem mesmo pelos irmãos. Aslam diz aos irmãos de Edmundo que não vale mais apenas comentar o corrido. O que passou, passou.
O pecador diante de Cristo, arrependido de seus pecados para receber o perdão definitivo. Torna-se uma nova criatura e seus pecados são lançados no esquecimento. 1Jo 1.8-10; 2Co 5.17; Rom 8.1.
Sem saberem em Nárnia as crianças cumpriam profecias já dantes prometidas como disseram os castores.
Personagens cumpriam o propósito de Deus sem saberem como o decreto do imperador César Augusto (Lc 2.1,2,3); a crucificação ao lado de dois ladrões entre outros (Mc 15.27,28)

Jadis ao encontrar-se com Aslam acusa Edmundo de traição e que não poderia ser aceito no arraial. A lei da justiça deveria ser cumprida. Jadis é acusadora
Satanás é o nosso grande acusador diante de Deus. Ap 12.10.
Jadis pronuncia a magia profunda e diz que a vida de Edmundo lhe pertencia e a  justiça deveria ser cumprida com a morte de Edmundo na mesa de pedra. E Aslam num forte rugido diz que não era preciso citar a lei para ele, pois estava lá quando foi escrita.
 Jesus é verbo divino que estava com o Pai e sabe de tudo. Jo 1.1-3;8.58 A Bíblia o chama de “cordeiro morto desde a fundação do mundo”. Ap 13.8

Aslam se oferece voluntariamente em lugar de Edmundo para ser sacrificado na mesa de pedra. Era o pagamento pela traição do filho de Adão.
Jesus fez o mesmo para conosco. Ofereceu-se e morreu em nosso lugar, descendentes de Adão e Eva. Is 53.4-6; Jo 10.17,18.

Aslam caminha na escuridão da noite triste e sozinho para a mesa de pedra. Suzana e Lúcia vão com ele e percebem sua tristeza, porém sem entender.
Jesus no Getsemane fica triste até a morte e seus discípulos dormem em meio à escuridão. Mt 26.36-46.

Aslam é humilhado na mesa de pedra. Ele é derrubado, amarrado, sua juba é cortada antes de receber o golpe fatal. Suzana e Lúcia ficam de longe
Jesus é humilhado pelo povo e príncipes de Jerusalém antes de ser finalmente crucificado. Mateus 26 e 27.

Aslam ressuscita de madrugada com um grande terremoto. Suzana e Lúcia são as primeiras a testemunhar a ressurreição do leão.
Jesus ressuscita na madrugada de domingo e houve um grande terremoto. Mt 28.1,2. As mulheres foram as primeiras a chegaram no túmulo vazio de Cristo. Mt 28.5.
Ao verem Aslam após a morte Suzana e Lúcia ficaram espantadas e foi preciso que Aslam lambesse seus rostos para terem certeza que não era um fantasma.
Os discípulos também duvidaram da ressurreição de Cristo, principalmente Tomé, mas Jesus entrou e ceou com eles e mostrou-lhes as feridas. Jo 20.10-30.

Aslam após a ressurreição sopra sobre os animais petrificados por Jadis e eles voltam a viver. O sopro de Aslam produz vida.
 Após a ressurreição, Jesus soprou sobre seus discípulos e receberam vida. Jo 20.22.  
Ao derrotar a feiticeira Aslam diz que está feito, acabado.
Na cruz Jesus derrotou Satanás e disse que estava tudo consumado. Jo 16.11;19.30 e Cl 2.15;

Na ressurreição de Aslam a mesa de pedra, que representa a lei é quebrada.
A lei que ninguém tinha condições de cumprir, Cristo cumpriu por nós e agora somos filhos de Deus. Cristo morreu e o véu do templo rascou-se de alto a baixo Mt 27.51;Mt 5.17,18. Cl 2.11-14.

Aslam concede prêmios às crianças após a batalha. Edmundo, o traidor é chamado de o justo como se ele nunca tivesse pecado contra lei de Deus e isso porque Aslam, inocente, morreu em seu lugar que era culpado de traição
O pecador justificado pelos méritos do perfeito sacrifício de Cristo.  Rm 8.30-34; Hb 10.19,20; 2Tm 4.7,8.

Aslam sai de cena e é prometido que ele voltará no momento certo.
Cristo é elevado aos céus e os anjos  dizem aos discípulos que ele voltará. At 1.10,11; Hb 9.28

Referências Bibliográficas

[1] LEWIS, C.S. As Crônicas de Nárnia 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p 746,747
[2] LEWIS, C.S. Surpreendido pela alegria 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1998.
[3] Jornal Mensageiro da Paz, ano 76 edição 1.448 de janeiro de 2006

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A ETRA E O CBTR


A ETRA E O CBTR



A ETRA é a Escola Teológica Reformada de Aratuba e o CBTR é o Curso Básico de Teologia Reformada oferecido por essa escola numa duração de 02(dois) anos para aqueles que desejam possuir um conhecimento elementar das doutrinas fundamentais da sagrada escritura. Essa inciativa surgiu no início de 2014 pela necessidade de ensinamento bíblico claro e sistemático tanto para quem já conhecem o livro santo ou aqueles que tem pouca ou nenhuma familiaridade.
O CBTR é um curso confessional e livre e portanto não reconhecido pelo MEC e sem nenhuma pretensão de preparar pessoas ao mercado de trabalho. Sua ementa e matriz curricular são referendas num currículo fundamentalmente bíblico-teológico. No final do curso os alunos receberão certificação reconhecida na modalidade de cursos livres pela Empresa Brasil Empreendedor.
No blog da ETRA você encontrará uma série de ferramentas e auxílio para o estudo bíblico com artigos teológicos, apologéticos, históricos, pedagógicos, devocionais e notícias. Todo o conteúdo aqui exposto é de autoria de seus membros, exceção quando indicarmos o uso de materiais de outros autores. Em nosso blog os links se classificam da seguinte forma:

ÍNÍCIO – Você lerá artigos variados como assuntos do dia a dia comentados pela mídia secular como ciência, ética, namoro, casamento, família, pena de morte, evolucionismo, aborto, homossexualismo dentre outros temas abordados à luz da teologia bíblica.
ESTUDOS – Aqui você lerá estudos teológicos longos e bem estruturados sobre muitos temas doutrinários como cânon, trindade, encarnação, regeneração, predestinação, justificação pela fé, hermenêutica, escola dominical e outros.

CONFISSÃO DE FÉ – Um comentário preciso e detalhado dos 24 artigos de fé da ETRA – Escola Teológica Reformada de Aratuba. Primeiro há uma introdução e depois uma explicação clara e aprofundada de cada artigo e seus itens e no final a devida fundamentação bíblica do que foi exposto. É um pouco longa, pois trata-se de uma Confissão de Fé e não de um credo que via de regra é bem mais curto.

QUEM SOMOS – Apresentação de breve histórico da ETRA e de sua coordenação com cada membro e respectiva função.

HISTÓRIA DE ARATUBA – Como o ETRA é uma escola de Aratuba, então decidimos incluir um link com artigos sobre a história de nosso município. É uma ajuda tanto para a pesquisa local quanto aqueles de outros lugares que desejam conhecer mais a história de nossa terra.

NOTÍCIAS – Os fatos e fotos de tudo o que acontece no curso ou eventos realizados pela ETRA serão noticiados aqui.

CBTR – Curso Básico de Teologia Reformada. Aqui você encontrará a ementa, a grade curricular e a relação dos alunos matriculados no curso da ETRA.

DICAS DE LIVROS – Uma seção de ótimos e edificantes livros de teologia para seu crescimento com uma sinopse de cada um. Apesar da ênfase na teologia reformada, incluem-se às vezes obras sérias de autores não reformados em assuntos relevantes para a vida cristã.
TIRA DÚVIDA – Perguntas que as pessoas constantemente fazem sobre a fé cristã e que serão aqui respondidas com clareza, praticidade e fundamentação bíblico-teológica. Envie sua pergunta e responderemos na medida do possível.